
A 11ª edição do Colóquio Feminismo Negro, organizada pelo NEIAB/UEM (Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros da Universidade Estadual de Maringá), reuniu pesquisadoras, ativistas e intelectuais negras para debater o impacto da militância digital na luta antirracista e feminista. Sob o tema "Negras Digitais: Ativismo, Militância e o Discurso de Ódio nas Redes Sociais", o evento explorou o protagonismo das mulheres negras no ciberespaço, as complexas interseções entre raça, gênero e tecnologia, e os desafios impostos pelo racismo algorítmico e pelos discursos de ódio online. Os painéis e grupos de trabalho destacaram como as redes sociais funcionam simultaneamente como ferramentas de empoderamento e resistência, mas também como espaços de exclusão, silenciamento e violência simbólica. Entre os temas centrais, destacaram-se: a presença negra no ciberespaço, a construção de novas narrativas que desafiam estereótipos, a influência dos algoritmos na distribuição de conteúdo e a militância digital como estratégia de afirmação identitária e transformação social.
Sobre o NEIAB/UEM
Coordenadora: Drª. Marivânia Conceição de Araújo
O NEIAB-UEM é composto por estudantes e professores da graduação e pós-graduação, pertence ao Departamento de Ciências Sociais (DCS) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e tem como objetivo a ampliação do debate sobre as questões raciais.
Tendo em vista a diversidade cultural e racial em nosso país e em especial no estado do Paraná e os inúmeros temas ligados às relações raciais que podem ser discutidos a partir de uma interdisciplinaridade, professores do Departamento de Ciências Sociais se organizaram em um grupo de estudos cuja temática principal são as relações raciais.
Trata-se de um grupo que pretende realizar discussões acadêmicas mais aprofundadas sobre as características das relações sociais e históricas que envolvem a população afro-brasileira nas suas diferentes nuances. Essas são questões pertinentes e bastante disseminadas no meio acadêmico, gerando monografias, dissertações e teses nas mais diferentes áreas, em particular entre as ciências humanas.
As relações raciais caracterizam-se como um tema que faz parte tradição das Ciências Sociais no Brasil, pois contabiliza trabalhos clássicos elaborados por Florestan Fernandes, Roger Bastide, Nina Rodrigues, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Hasenbalg, Kabengele Munanga, entre outros. Desse modo é importante que haja um espaço acadêmico onde se desenvolvam discussões, reflexões e textos mais aprofundados sobre o tema. Um espaço de discussão que possa envolver professores, alunos e integrantes da comunidade não acadêmica interessados no conhecimento e na produção científica que dê condições de melhor conhecimento e argumentação sobre os problemas e características da população afro-brasileiros.
O curso de Ciências Sociais é um lugar privilegiado para as discussões que envolvem as relações estabelecidas nos grupos sociais, nele várias manifestações sociais são abordadas, tais como a política, a religião, o trabalho, a família, a educação, as relações raciais inclusive, porém todas elas devem ser estudadas no mesmo grau de importância. Assim, aqueles alunos que apresentam um interesse maior em estudar as relações raciais têm a partir de agora um lócus acadêmico privilegiado, onde podem desenvolver pesquisas que fomentarão publicações orientadas pelos professores participantes do grupo.
Muito embora as Ciências Sociais sejam uma área de conhecimento em que se pode discutir de modo abrangente e aprofundado os diferentes temas que envolvem as relações raciais, há outras áreas em que o tema também é objeto de reflexão, quais sejam, a História, a Geografia, as Artes, a Música, a Educação Física, a Economia, o Direito, a Comunicação, etc.. Por isso a ênfase no caráter interdisciplinar desse grupo de estudos, haja vista o diálogo com diferentes professores e profissionais interessados provenientes.

